domingo, outubro 30, 2005

Pimenta #1

Hoje vou começar a contar a história recente da nova moradora do 4ºdto…

Era final de tarde e eu e a Joana estávamos a chegar à nossa casinha...

- “Olha ali aquele cãozinho! Vamos lá fazer uma festinha.”- disse-me a Joana enquanto me puxava pela mão e caminhava em direcção do bichinho. E lá fomos nós. Só queria que vissem a alegria daquela cadelinha quando viu que nos aproximávamos dela. Levantou-se num salto e ergueu as suas patinhas para nós como que a pedir um abraço. Fizemos-lhe festas… muitas festas, porque ela não nos deixava parar. Sempre que sentia que a nossa mão se ia afastar roçava o seu focinho a pedir mais.
Nesse primeiro dia fomos para casa a pensar se a cadela seria abandonada ou de alguém que estivesse perto do local… E penso que ambas desejámos, em silêncio, poder ver aquele animal todos os dias… Como gostámos dela logo naquele momento. Acho que esta é uma história de amor à primeira vista. Não só da minha parte, mas de toda a gente que já teve a oportunidade de conviver com a cadelinha.
E o ritual repetiu-se por mais dois ou três dias, mas com um tristeza crescente porque percebemos que a cadela era abandonada. E as perguntas começaram a ser substituídas por lágrimas e desolação. A Joana, sempre que via a cadelinha ia para casa a chorar. E tentámos pensar numa solução para a situação. Pensámos em entregá-la no canil porque não sabíamos se poderíamos tê-la em casa, mas achámos que seria abatida. Falámos com pessoas conhecidas para saber se alguém teria possibilidades de a ter em casa… mas nada. A tristeza aumentava consideravelmente. Como é que alguém teve coragem de abandonar aquela cadelinha tão meiga. Como é possível ser-se tão insensível? Estou capaz de agredir o autor de tamanha barbaridade.
Certo dia, quando estava a entrar em casa, deparei-me com um ambiente estranhamente pesado. Olhei para dentro da sala e estavam a Joana, a Loira e o Panicuh com ar cúmplice e aparentemente triste. Mas… havia ali algo estranho que descobri logo a seguir. A única coisa que me saiu foi “- Não acredito!!!”. Não imaginam o meu espanto quando vi a sombra da cauda da cadelinha que abanava alegremente. E foi só chegar perto dela para ser imediatamente recebida com lambidelas e patadas amigáveis. Confesso que paralisei por instantes a pensar em algo para dizer. Só me ocorria algo como
“- São loucas!!! E ainda bem…”. Quando voltei a mim contaram-me a história daquela tarde, que a cadelinha já tinha tomado banhinho e sido desinfectada e que as feridas que tinha já tinham sido tratadas… e tudo isto na minha ausência!
Depois de termos a certeza que poderíamos ficar com a cadelinha, tratámos de arranjar um nome para ela. O processo foi longo e demorado. Demos palpites e fizemos alguns sorteios mas percebemos que o nome seleccionado não era o preferido da nossa menina. Voltamos aos nomes que tínhamos utilizado para o sorteio e, democraticamente, decidimos que aquele animal ternurento, amigável e imensamente doce se passaria a chamar Pimenta Traveca (para seus nomes próprios) Correia de Figueiredo e Silva (como apelidos, os apelidos das donas) ‘desse (esta palavra faz parte das vivências da casa). Nome pomposo para animal tão pequeno… mas não poderia deixar de ter uma parte de cada uma de nós.
Agora a nossa casa é muito mas alegre (e desarrumada), temos mais uma companhia (e que companhia, porque ela não nos larga um instante!) e muito mais alegria.
Acho que a Pimenta é agora muito mais feliz. Apesar de ter sido abandonada teve a sorte de nos encontrar… ou fomos nós que tivemos essa sorte? Estou feliz… só me custa ter de passeá-la com uma trela rosa-choque!
A Pimenta voltará! Lambidelas dela para todos!